VIOLÊNCIA
Autor de disparos em formatura é condenado a 24 anos de prisão
Autor de disparos em formatura é condenado a 24 anos de prisão
Juiz citou que o crime assusta até mesmo “comunidades acostumadas com terrorismo”
Juiz citou que o crime assusta até mesmo “comunidades acostumadas com terrorismo”
Por Jorge Pontes
Na tarde desta quinta-feira (31), em julgamento pelo Tribunal do Júri de Fernandópolis, o juiz da 2ª Vara Criminal da Comarca, Vinícius Castrequini Bufullin, condenou a 24 anos de prisão em regime fechado o autor dos disparos de arma de fogo durante uma formatura do curso de Direito da Unicastelo, realizada no Plaza, no dia 4 de dezembro de 2011, quando uma pessoa ficou ferida com um tiro no rosto. Oscar de Souza Medrado Neto, 27 anos, foi julgado por tentativa de homicídio, além dos crimes de porte de arma de fogo e disparo de arma fogo.
Na sentença, Bufullin levou em conta o fato de Oscar possuir antecedentes criminais, como já ter efetuado disparos no meio da rua, um mês antes da formatura. “Em outras palavras, é a segunda vez que o réu participa de disparos de arma de fogo sem preocupação com a identidade das vítimas que poderia ser alvejadas, embora tivesse a intenção de atacar pessoa específica nas duas hipóteses, admitiu, no caso dos autos, atacar estranhos para satisfação de sua raiva”, disse o juiz no despacho, acrescentando 1/6 na pena mínima do crime de homicídio simples, que é de seis anos de reclusão.
O magistrado citou, inclusive, que “o crime dos autos é daqueles que assustam comunidades acostumadas com o terrorismo, como os Estados Unidos da América, cuja sociedade se choca com os assassinos que se armam e vão às escolas a busca de vítimas aleatórias para a satisfação de seu ódio”. Com essa citação, pelo autor não ter motivo para o crime, a pena foi ajustada para 13 anos para cada um dos crimes. No entanto, como o homicídio não foi consumado de fato, resultando apenas em uma pessoa atingida com um tiro no rosto, a pena foi reduzida para oito anos a cada um dos crimes.
RELEMBRE O CASO
Oscar Medrado é suspeito de atirar em outro estudante, durante uma formatura do curso da Direito da Unicastelo de Fernandópolis em dezembro de 2011, no estacionamento do Plaza Eventos. A tentativa não terminou em tragédia graças a um ato heróico de um jovem, que para salvar o amigo levou um tiro no rosto.
Os tiros foram disparados por Oscar de Souza Medrado Neto, 22, após ser retirado da festa por seguranças, por suposta briga dentro do salão de eventos já no final da festa.
Segundo testemunhas, Oscar, que é irmão de uma das formandas, foi contido por seguranças durante a briga e conduzido até seu veículo por organizadores do evento, que o aconselhavam a deixar o local sem maiores problemas.
Ao chegar ao veículo, ele teria sacado a arma que estava no porta-luvas e efetuado o primeiro disparo, em direção aos organizadores do evento, que o acompanhavam, mas não os atingiu, pois estes saíram correndo ao ver a arma.
Transtornado, o rapaz voltou para o estacionamento do Plaza quando se deparou com a jovem Heidy Aparecida Cardoso, 30, saindo com seu carro, um Fiat/Siena ao lado de sua mãe Rosana Cardoso, momento este em que o rapaz se assustou e atirou contra o carro.
O tiro atingiu Heidy de raspão no ombro, mas com o susto a jovem perdeu o controle e chocou-se com um caminhão que estava no estacionamento.
Após atirar contra o carro, Oscar continuou a descer a rampa no sentido da porta principal do Plaza, quando confundiu o jovem Emerson Santana com um dos envolvidos na briga e apontou a arma para o peito dele. Neste momento Wellington Rafael Binati da Silva, 24, empurrou o amigo e acabou na linha de tiro de Oscar, que puxou o gatilho.
O projétil atingiu o lado esquerdo do rosto de Wellington que após ser baleado saiu correndo para evitar o pior. Depois de acertar Wellington, Oscar teria efetivado mais dois disparos, mas não acertou mais ninguém. Depois dos disparos, fugiu em meio à multidão e se entregou à polícia na manhã de sexta-feira, 9.
Após o tumulto, unidades do SAMU levaram Heidy e Wellington ao Pronto Socorro da Santa Casa de Fernandópolis. Heidy foi atendida e liberada em seguida. Wellington ficou internado em estado grave e teve de ser submetido a uma cirurgia para retirada da bala.
O projétil que atingiu Wellington transfixou seu rosto e se alojou a cerca de um centímetro de sua coluna.
O jovem Oscar de Souza Medrado Neto trabalha há oito anos como instalador na empresa de segurança e a ação do jovem surpreendeu a família. O jovem se arrependeu da atitude.
Segundo a defesa, Oscar carregava a arma em seu carro devido ao seu trabalho. No relato ele afirma que após seu ex-patrão Flávio Ferreira, ser assassinado no início do ano, ficou com medo, uma vez que trabalha no período noturno e que por muitas vezes tem que ir até a casa dos clientes da empresa quando o alarme dispara, seja qualquer hora do dia ou da noite.
Assustado com a morte violenta do ex-chefe, ele comprou a arma e passou a portá-la no carro sem que seus patrões soubessem. O caso ocorreu em dezembro do ano passado.
Com informações de Ethos Online