JUSTIÇA

MP denuncia mãe por feminicídio após morte de bebê de 45 dias em Ouroeste

MP denuncia mãe por feminicídio após morte de bebê de 45 dias em Ouroeste

Uso de cocaína com risco assumido de provocar a morte da filha

Uso de cocaína com risco assumido de provocar a morte da filha

Publicada há 1 hora

Foto: Ilustração / Fonte: MP SP

Da Redação

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) denunciou formalmente à Justiça uma mulher de 30 anos acusada de provocar a morte da própria filha, uma bebê de apenas 45 dias de vida, no município de Ouroeste, na região de São José do Rio Preto.

De acordo com a denúncia, a mulher teria feito uso de cocaína e, em seguida, amamentado a criança. Após a amamentação, a recém-nascida apresentou dificuldades respiratórias, evoluiu para um quadro grave e acabou morrendo, mesmo após ser socorrida e encaminhada a um hospital da região.

Laudo confirma intoxicação por droga

Conforme o laudo necroscópico anexado ao inquérito, exames toxicológicos identificaram no sangue da bebê a presença de benzoilecgonina, principal metabólito da cocaína, além de outra substância compatível com a transmissão por meio do leite materno. O documento aponta que a criança apresentou insuficiência respiratória aguda, com evolução para morte súbita.

Ainda segundo a investigação, a bebê chegou a apresentar dificuldades respiratórias durante o banho, e foram realizadas tentativas de reanimação, sem sucesso.

Denúncia por feminicídio qualificado

O promotor de Justiça Eduardo Boiati, responsável pelo caso na comarca de Ouroeste, classificou o crime como feminicídio praticado contra vítima menor de 14 anos, enquadramento que agrava a pena prevista em lei. Para o Ministério Público, a conduta ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar, considerando o vínculo materno e a total vulnerabilidade da vítima.

Na denúncia, o MP sustenta que a mulher assumiu conscientemente o risco de provocar a morte da filha ao fazer uso da droga e, mesmo assim, amamentá-la. Entre as qualificadoras apontadas estão:

  • Meio insidioso, pela utilização indireta da substância tóxica;
  • Motivo fútil, ao priorizar o consumo de entorpecente em detrimento do dever de cuidado;
  • Impossibilidade de defesa da vítima, por se tratar de uma recém-nascida absolutamente indefesa.

Processo segue para análise judicial

Com o oferecimento da denúncia, o caso passa agora à análise do Poder Judiciário, que deverá decidir sobre o recebimento da acusação e os próximos passos do processo criminal. Se a denúncia for aceita, a ré responderá por feminicídio qualificado, crime cuja pena pode ultrapassar 30 anos de prisão.

Até o momento, não há informação oficial sobre pedido de prisão preventiva ou manifestação da defesa da acusada.

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